A afetividade e o processo de aprendizagem
Kátia Michaele Conserva »
Artigos
29 Mai 2009 | 2:52
A aprendizagem está inevitavelmente ligada à história do homem, à sua construção enquanto ser social e a capacidade de adaptação a novas situações, exercendo, portanto, um papel relevante na constituição do sujeito humano.
Na perspectiva educacional, a aprendizagem tem como finalidade ajudar a desenvolver nos indivíduos competências que os tornem capazes de estabelecer uma relação pessoal com o objeto do conhecimento, com o meio em que vivem, utilizando para este fim, suas estruturas cognitiva e afetiva.
Estas estruturas são permeadas por diversos fatores que determinam as demais capacidades que o aluno enfrenta nesse processo. Comumente ouvimos estudantes queixando-se de dificuldades relacionadas ao controle das emoções em provas, seminários, momentos em que são prejudicados devido a influência que estes sentimentos exercem sobre eles.
A percepção que o aluno tem sobre si enquanto aprendente, a percepção que ele tem sobre o professor, suas expectativas diante do ensino, suas motivações, crenças, atitudes e atribuições refletem no processo de aprendizagem. Segundo pesquisas, alunos que possuem crenças de auto-eficácia positiva alcançam bons resultados acadêmicos. Estas crenças podem ser compreendidas como convicções pessoais quanto à competência para realizar uma determinada tarefa e num grau de qualidade definida.
Mas qual a relação entre afetividade e aprendizagem? Que emoções permeiam esse processo?
Segundo PAROLIN (2007), o aprender está relacionado, dentre outras coisas, a um clima emocional em que ocorre a aprendizagem. Portanto, a qualidade da relação e a temperatura emocional em que ocorrem as mediações da aprendizagem são de enorme importância. Em verdade, cada vez que um aprendiz expressa seu estado emocional, ou se emociona em seu percurso de aprendizagem, está manifestando seu campo afetivo.
A interação que o aprendente estabelece com o meio está intimamente ligada aos processos psicológicos. A afetividade interfere no desenvolvimento do pensamento, constituindo novas formas de aprender e pode ser influenciada pelas crenças que o aluno tem sobre si, prejudicando ou potencializando seu desempenho. Estas crenças movem as aspirações, os temores pessoais e os estados afetivos associados a eles.
Por mais que um aluno disponha de um conhecimento prévio adequado, se ele não atribuir sentido ao que aprende, será difícil aprender de forma significativa. Para Coll (2004), o conceito de sentido engloba os fatores e os processos psicológicos de caráter afetivo, motivacional e relacional que atuam como mediadores entre o ensino e a aprendizagem.
Em meio às vivências acadêmicas, muitas vezes, os discentes não atentam para suas emoções e o aspecto contagiante que elas têm. Diante de uma situação estressante, a falta de conhecimento da origem de um estado emocional faz com que os alunos não obtenham solução educacional direcionada. A identificação dessas emoções ajuda ao aluno a superá-las.
É necessário refletirmos constantemente acerca das potencialidades do discente e da relação entre a afetividade e o conhecimento. O aluno, enquanto aprendente deve estar atento às emoções envolvidas em sua aprendizagem, a fim de encontrar formas de direcioná-las a uma aprendizagem significativa.
Referências
COLL. César; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, Jesús. A avaliação da aprendizagem escolar. In: Desenvolvimento Psicológico da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.
PAROLIN, Isabel. As emoções como mediadoras da aprendizagem. In: VII Encontro de Educação da PUCPR – EDUCERE, 2007.
BOCK, Ana Mercês Bahia; ODAIR, Furtado; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.
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