DENGUE: CONHECENDO O INIMIGO
Mônica Dias Palitot »
Artigos
31 Mar 2008 | 5:56
Os primeiros relatos sobre epidemias da dengue datam do século dezoito, mais especificamente entre os anos de 1779 e 1780, tendo ocorrido as primeiras epidemias na Ásia, África e na América do Norte, segundo o National Center for Infectious Diseases (NCID- EUA).
Entretanto no século XX, após a Segunda Guerra Mundial, teve início no Sudeste Asiático uma epidemia global que se expandiu para o Pacífico e para as Américas. Com relação a dengue hemorrágica, o primeiro registro de epidemia, ocorrida fora dos limites do Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, aconteceu em Cuba no ano de 1981, sendo considerado o mais importante evento na história do dengue nas Américas. Foram 344.203 casos, dos quais 10.312 de dengue hemorrágico, associados ao sorotipo 2, resultando em 158 mortes.
O transmissor da dengue, o mosquito Aedes aegypti (odioso do Egito), tem origem africana, tendo sido reconhecido pela primeira vez no Egito - daí o seu nome. No Brasil a dengue chegou junto com os navios negreiros que traziam seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações, sendo a primeira referência à dengue relatada no período colonial, em 1865, na cidade de Recife. Sete anos depois, em Salvador uma epidemia de dengue levou a 2.000 mortes. Em 1846, a dengue é considerada como epidêmica, atingindo vários Estados, como Rio de Janeiro e São Paulo. Até 1916, São Paulo foi atingido por várias epidemias de dengue.
Em 1903, Oswaldo Cruz, então Diretor Geral da Saúde Pública, implantou um programa de combate ao mosquito que alcançou seu auge em 1909. Em 1957, foi anunciado que a doença estava erradicada no Brasil, embora os casos continuassem ocorrendo até 1982, quando houve uma epidemia em Roraima. Em 1986, foram registradas epidemias nos estados do Rio de Janeiro, de Alagoas e do Ceará. Nos anos seguintes, outros estados brasileiros foram afetados. No Rio de Janeiro (Região Sudeste) ocorreram duas grandes epidemias. A primeira, em 1986-87, com cerca de 90 mil casos; e a segunda, em 1990-91, com aproximadamente 100 mil casos confirmados. A partir de 1995, o dengue passou a ser registrado em todas as regiões do país. Em 1998 ocorreram 570.148 casos de dengue no Brasil; em 1999 foram registrados 204.210 e, em 2000, até a primeira semana de março, 6.104.
A situação atual é preocupante de acordo com Boletim sobre a situação da dengue no Brasil divulgado em fevereiro de 2008 pelo Ministério da Saúde, este diz que o número de mortes por dengue hemorrágica foi recorde em 2007, foram 158 óbitos, enquanto em 2006, o total de mortes foi de apenas 76. O recorde anterior é do ano de 2002, quando 150 pessoas morreram em conseqüência da doença.
De acordo com o documento, foram registrados 1.541 de dengue hemorrágica, de um total de 559.954 casos simples da doença. Os casos se concentraram no Ceará, Rio, Maranhão, Pernambuco, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Piauí, Goiás, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Informações básicas:
O mosquito (fêmea) é infectado quando ele pica um indivíduo que já está com dengue (humanos e possivelmente algumas espécies de macaco) durante os primeiros três dias de doença. A partir daí, são necessários de 8 a 11 dias para que o Aedes aegypti incube o vírus, antes de poder transmití-lo para outro indivíduo. Após este período, o mosquito fica infectado por toda a sua vida.
A vida útil do mosquito transmissor é de 45 dias, podendo vir a contaminar até 300 pessoas. O vírus da dengue é injetado na pele da pessoa pelas gotas de saliva do mosquito, não ocorrendo transmissão da doença por contato direto entre pessoas, nem através de água ou alimentos.
A epidemia da dengue é imprevisível, pois existem quatro espécies da doença, contudo os que já tiveram dengue uma vez, devem tomar ainda mais cuidado tendo em vista que em uma segunda contaminação as chances da doença evoluir para a forma hemorrágica são maiores.
Os sintomas característicos da dengue são: febre repentina, fortes dores de cabeça, dores nas juntas e nos músculos, intensa dor atrás dos olhos, um segundo aumento de temperatura após uma pequena redução, náusea e vômito, além de manchas vermelhas na pele. As manchas tendem a aparecer entre 3 a 4 dias após o início da febre. A infecção pode ser detectada por um exame de sangue, que verifica a presença de vírus ou anticorpos. A doença pode durar até 10 dias, mas a recuperação completa da pessoa leva de 2 a 4 semanas.
A pessoa infectada com dengue deve permanecer em repouso, bebendo muito líquido e tomando medicamentos que não contenham o ácido acetil salicílico, pois esta substância pode facilitar o sangramento. Apesar da intensa dor causada pela doença, pessoas contaminadas com dengue devem evitar antiinflamatórios que também podem facilitar o sangramento.
Não há vacina para a doença, portanto, para evitar a dengue a solução é prevenir o nascimento desses mosquitos, sendo esta uma responsabilidade de todos nós.
Psicóloga, Doutoranda em Psicologia Social- UFPB, Mestre em Educação, Professora da disciplina Epidemiologia da FACENE










