Fenômeno Bullying esse nosso (des)conhecido

Sandra Aparecida de Almeida »

A violência nos dias atuais vem tomando proporções assustadoras e quando o assunto é percebido dentro do ambiente escolar, torna-se não somente preocupante, mas também questionador de algumas posturas adotadas não somente pelas instituições de ensino, mas também por toda comunidade. Isso ocorre porque a violência aflige direta e indiretamente toda uma sociedade, no tempo presente ou num futuro próximo, desestabilizando individualidades.

Dados estatísticos apontam e a mídia mostra o crescente número de jovens cada vez mais novos, envolvidos em crimes, seqüestros, tentativas de homicídio, assaltos, brigas de gangues, discussões no trânsito e como conseqüência seqüelas permanentes ou morte, do agressor ou vítima.

A violência é definida por alguns autores como sendo uma ação voluntária onde alguém obriga o outro, ou até mesmo um grupo de pessoas, a atuar de forma antagônica à sua própria vontade, utilizando-se da força, quando é despojado de um bem assim como, quando o indivíduo é impedido de agir de acordo com seu intuito.

Entende-se, portanto como violência uma ação de poder entre pessoas na qual, a conquista desse, desenvolve uma ação violenta e manifesta-se de diversas formas. Esses acontecimentos ocorrem devido às ações diárias de preconceito, discriminação, da habilidade diminuída de desenvolver procedimentos justos e democráticos de gestão da vida individual dentro de uma sociedade nem sempre igualitária.

Hoje em dia, é consenso que a violência pode ser evitada, seu impacto minimizado e os fatores que contribuem para respostas violentas, transformados. Sabe-se que a violência não é um problema específico da área da saúde, mas a afeta, representando um risco aumentado para a realização do processo vital humano como ameaça a vida, altera a saúde, produzindo enfermidades físicas e emocionais e provoca a morte como realidade ou como possibilidade próxima.

Violência na escola

Dentre as diversas formas de violência, uma vem se tornando ainda mais evidente e persistente nos últimos anos, camuflando-se sob a égide do desconhecido para pais, professores, profissionais de saúde e população em geral.

Estamos falando da Violência Escolar, que pode ser descrita em diversas nuances como comportamentos anti-sociais, atitudes de delinqüência, comportamentos inconvenientes à sociedade, dentre outros.

A violência na escola é apontada sob as formas de violência física, que são representadas por meio de brigas, agressões, roubos, saques e as não físicas que são evidenciadas por meio de palavras e atitudes como insultos verbais, discriminações, opressões ou menosprezo.

Considerando a escola como o espaço de consolidação, firmação, edificação, construção de saberes, de coexistência e socialização, é também locus de produção e reprodução de violências em suas mais distintas formas e é nessa escola ou sistema escolar, que as crianças, adolescentes e jovens, buscam expandir suas habilidades, suas relações sociais, realizar e construir aspirações, contribuindo para a formação da personalidade adulta, esperando que esses sejam emocionalmente saudáveis e produtivos.

No cotidiano escolar, são múltiplos os fatores a serem observados e que contribuem para o conflito e violência, podendo ser citados as punições às desobediências às normas rigidamente impostas e nem exitosas, pois em se tratando de penalidades, estas mesmas regras, quando são implementadas, não avaliam a palavra do aluno, ou seja, o aluno não tem vez, e por isso, suscita fatores aceleradores para a violência.

Um outro fator é a falta de diálogo por parte dos profissionais em todas as suas dimensões com os alunos. Isso propicia uma reflexão de como a escola os qualifica/rotula: sujeitos-problema, ou seja, a escola afasta-se diante da co-responsabilidade de comportamentos e atitudes estranhas e não permissivas à instituição.

Paralelo a isso, as escolas deveriam lançar estratégias para transpor problemas, criando um ambiente que propicie a interação entre a equipe, os alunos e a comunidade, para que estes se percebam pertencentes ao universo escolar e re-organizem vínculos e relacionamentos positivos, sem a perda de identidade.

O Bullying

Uma forma de violência escolar que vem despontando em intensidade e apontando conhecimentos, é o fenômeno Bullying, que é definido pelos educadores como um conjunto de atitudes agressivas ocasionadas por um ou mais indivíduos, concomitantemente, de forma proposital, recorrente, sem motivos aparentes, com objetivo de causar consternação, angústia e dor.

Alguns pesquisadores definem o Bullying escolar como uma forma de violência não física, significando insultos, apelidos cruéis e gozações, ameaças que ocorrem nos intervalos das aulas e nas saídas das escolas, em que estas situações provocam uma angústia profunda, exclusão, acarretando danos físicos e materiais, junto às formas de violência física.

O Bullying é um fenômeno violento, não pode e nem deve ser encarado como brincadeiras próprias de criança que acontecem esporadicamente, que propicia uma vida de sofrimento e dor para uns e de conformidade para outros. Danos físicos, morais e materiais, insultos, apelidos cruéis, gozações que magoam intensamente, ameaças, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam a vida de muitos alunos levando-o à exclusão, são também algumas das condutas observadas em relação ao Bullying escolar.

Os vários tipos de Bullying

Conhecem-se vários tipos de Bullying: violência física, verbal, psicológica, social, indireta e incluindo os abusos sexuais. O Bullying pode ser classificado da seguinte forma: testemunha/ expectador, a vítima/alvo e o autor/agressor, cada um desses comportamentos carrega consigo determinadas maneiras de ver e viver a vida.

Como conseqüências essas alterações comportamentais, podem causar dificuldades acadêmicas, sociais, emocionais e legais. Quanto mais nova e mais agressiva for a criança, maior propensão terão a riscos futuros e possivelmente problemas sociais, depressão, baixa auto-estima e quando adultos terão seus comportamentos alterados apresentado problemas como instabilidade emocional, profissional tendo como conseqüência dificuldades em ter e manter relacionamentos afetivos, efetivos e duradouros.

Deve-se atentar aos comportamentos silenciosos decorrentes do fenômeno como apatia, retraimento e sentimento de impotência aos ataques externos, podendo dependendo do grau em que sofreu o fenômeno chegar a homicídios e suicídios.

O que se pretendeu aqui foi esclarecer a comunidade sobre um fenômeno mundialmente preocupante e que acomete crianças de todas as classes sociais, principalmente nas faixas etárias de 11 a 13 anos de idade, trazendo conseqüências desastrosas ao adulto futuro.

Existem meios de minimizar o problema, cabe a cada um de nós atentarmos às alterações de conduta das crianças e dos jovens e em consonância com as escolas e gestores, apontar caminhos efetivos para a superação da problemática.

Sandra Aparecida de Almeida
Enfermeira
Docente da FACENE

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