Ferida: prevenção e tratamento

Bernadete Gouveia »

Ferida é a perda da integridade da pele, resultando em solução de continuidade em maior ou menor extensão, culminando em lesão. A ferida pode ser limpa ou infectada, aberta ou fechada, aguda ou crônica.

A pele é o maior órgão do corpo e recobre toda a superfície corporal externa.

As feridas aparecem em nosso corpo a partir de agressões físicas, químicas, biológicas e/ou mecânica. A melhor maneira de evitá-las é protegendo a pele e prevenindo a causa principal para o desenvolvimento de lesões.

Nos últimos anos, temos observado o aumento do número de pacientes com feridas do tipo úlcera por pressão e pé diabético, um problema sério de saúde pública, que na maioria das vezes surge nas pessoas idosas e naquelas imobilizadas (portadores de lesões raqui-medular, AVC e outros).

Úlceras por pressão – qualquer lesão causada por pressão não aliviada por um tempo prolongado que resulta em danos aos tecidos subjacentes as proeminências ósseas. A prevenção tem como prioridade a mudança de decúbito de 2/2 horas ou no máximo de 3/3 horas, outras medidas existem, mas se a mudança de decúbito não estiver encabeçando a lista, o resultado será insatisfatório.

Pé diabético – conhecido como gangrena diabética, mal perfurante plantar ou arteriopatia diabética nos pés, inicia com alterações na sensibilidade periféricaesteulminando em a continuidade da pele em maior ou menor extens de MMII, resultando em lesões de difícil tratamento e prognóstico sombrio.

A prevenção para o pé diabético está no controle dos níveis glicêmicos além de uma atenção especial aos pés, a seguir: observação diária dos pés com atenção aos dedos e maléolos, usar sapatos fechados, folgado e confortável, secar bem os dedos nas interdigitais, cortar as unhas com cuidado periodicamente, examinar presença de material cortante no interior dos sapatos, etc. A realização destas recomendações com freqüência evita o aparecimento de lesões e até de complicações maior “amputação”.

São vários os fatores que predispõe o desenvolvimento de feridas/lesões, como também contribui para a não cicatrização, são elas: idade, condição nutricional, vascularização, medicamentos imunossupressores, doenças de base (diabetes, hipertensão, hanseníase, etc), tabagismo e outros.

Com o avanço da tecnologia, sabemos que existe um grande investimento das indústrias farmacológicas em desenvolver substâncias e coberturas que alcance com sucesso o tratamento de todo tipo de feridas. Contudo devemos considerar que água e sabão são os dois componentes mais simples e básicos para a limpeza de qualquer tipo de ferida.

Neste sentido preciso alertar os profissionais de saúde para a busca contínua de conhecimento a cerca do tratamento de feridas, visto que existem muitos interesses econômicos e de outros profissionais vinculados a esta patologia, que é da responsabilidade dos profissionais de enfermagem. E não adianta produtos de alta tecnologia se o exercente da ação não tem conhecimento científico e não olhar para o receptor do cuidado, que é um ser humano, e precisa da assistência com dimensão holística individualizada.

Bernadete Gouveia
Enfermeira
Professora da FACENE/FAMENE