OBESIDADE:UMA EPIDEMIA GLOBAL

Susy Oliveira »

A obesidade é atualmente um dos mais graves problemas de saúde pública. Sua prevalência vem crescendo acentuadamente nas últimas décadas, inclusive nos países em desenvolvimento, o que levou a doença à condição de epidemia global.

Em 1997, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificava o aumento do sobrepeso e da obesidade como epidemia. Em muitos países, mais da metade da população apresenta algum grau de excesso de peso. A epidemia é global, atingindo não somente países desenvolvidos, mas também os que estão em desenvolvimento.

No Brasil, 40% dos adultos apresentam excesso de peso (IMC maior que 25Kg/m2) e hoje quase não há diferença entre os indivíduos que vivem na cidade ou os que vivem no campo.

A obesidade é causada por um desequilíbrio entre as calorias que são consumidas sob a forma de alimentos e as calorias que são gastas pelo indivíduo para o organismo funcionar, mesmo em repouso, realizar as atividades físicas e digerir os alimentos consumidos. O excesso de calorias (resultante de um balanço positivo entre o que é consumido e o que é gasto) é depositado no organismo. Boa parte desse depósito se faz sob a forma de gordura, e quanto mais se deposita, mais obeso é o indivíduo. Dessa maneira, a pessoa pode ser obesa porque:

1. come exageradamente e/ou
2. gasta poucas calorias e/ou
2. tem mais facilidade de produzir gordura quando o balanço calórico é positivo e/ou
4. “queima” gorduras com menor facilidade.

São propensos à obesidade aqueles indivíduos que apresentam uma tendência genética a ser obesos ou quando, mesmo sem tendência genética, exageram na quantidade de alimentos ingeridos (particularmente os alimentos gordurosos) ou levam uma vida muita sedentária.

Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa deposição de gordura é variável de pessoa para pessoa. De uma forma geral, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura:

1. Na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de obesidade ginóide (porque acomete mais as mulheres) ou obesidade em pêra (pela forma) ou obesidade subcutânea;
2. E no abdômen, entre as vísceras, é chamada de obesidade andróide (porque acomete mais os homens) ou obesidade em maçã (pela forma) ou obesidade visceral.

Naturalmente há grandes variações entre esse dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade.

Se o indivíduo com obesidade não se tratar, ele tende a engordar cada vez mais. Como obesidade é fator de risco indiscutível para várias doenças - diabetes mellitus, hipertensão arterial, alteração nos níveis de triglicérides e colesterol, infarto do miocárdio, derrame cerebral, tromboses, problemas ortopédicos e dermatológicos e diversos tipos de câncer – a manutenção da obesidade ou o seu agravamento faz com que o indivíduo se torne cada vez mais suscetível a doenças graves e morte precoce.
Obesidade é hoje considerada doença crônica com prognóstico de qualidade de vida comprometida, por vezes seriamente e, portanto, deve ser tratada.

Diante desse quadro, nada mais lógico do que o combate ao excesso de peso. Mudanças no estilo de vida e no comportamento alimentar são essenciais no tratamento da obesidade.

A escolha de uma alimentação saudável com o consumo de frutas, verduras, legumes, carnes magras, restrição a ingestão de alimentos ricos em açúcar e gorduras, além de iniciar a prática de atividade física irá contribuir para a diminuição de peso ou evitará o ganho excessivo dele.

Ms. Susy Souto de Oliveira – Nutricionista – Mestre em Ciências da Nutrição – Professora da disciplina de Nutrição e Dietética - FACENE